Pacientes bariátricos têm 30% mais risco de desenvolverem osteoporose

Método cirúrgico mais indicado para obesos com IMC acima de 40 prejudica a absorção de nutrientes, impactando a saúde óssea

De acordo com a revista acadêmica British Medical Journal, pacientes submetidos a cirurgia bariátrica, para tratamento da obesidade, têm 30% mais chances de desenvolverem osteoporose. A diminuição da absorção de nutrientes, como cálcio e fósforo, resultado do procedimento, prejudica o metabolismo ósseo, tornando os tecidos mais frágeis. Uma projeção feita pela World Obesity Federation, organização internacional voltada para redução, prevenção e tratamento da obesidade, mostrou que, em 2030, cerca de 30% da população brasileira adulta será obesa. O quadro preocupa os especialistas em metabolismo ósseo, uma vez que a osteoporose já atinge cerca de 10 milhões de brasileiros, segundo a ABRASSO (Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo).

Dr. Francisco José Albuquerque de Paula, presidente da ABRASSO.

“Além do prejuízo na absorção de nutrientes, alterações no padrão hormonal, como redução de insulina, e fatores de crescimento, como IGF1 e estrógeno, também contribuem para o prejuízo ósseo que se segue à bariátrica. O tratamento cirúrgico é uma alternativa para a obesidade grave, que traz benefícios metabólicos e cardiovasculares, mas não é isenta de efeitos adversos. A perda óssea e o impacto negativo sobre a resistência dos ossos fazem parte da lista de complicações desse procedimento”, ressalta o endocrinologista e presidente da ABRASSO, Francisco José Albuquerque de Paula.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, o SUS (Sistema Único de Saúde) realizou, em 2019, 12.568 cirurgias bariátricas no país. A entidade salienta que, devido à pandemia da Covid-19, o número caiu para 3.772, em 2020, e 2.296, em 2021. Contudo, os dados vinham apresentando aumento sequencial desde 2011, quando foram registrados 5.370 procedimentos.

Perda de massa óssea

No pós-operatório, há aumento da atividade de remodelação óssea, o que provoca um balanço negativo entre a formação e a reabsorção do osso, causando perda de massa deste tecido, o que pode, em longo prazo, levar à osteoporose. “No caso de pacientes com osteoporose diagnosticada antes da cirurgia, esse fator deve ser considerando na análise de benefícios e riscos do procedimento. Caso a opção cirúrgica seja mantida, o tratamento farmacológico deve ser considerado”, salienta Francisco de Paula.

Dra. Melissa Premaor, clínica médica.

Há três métodos de cirurgia bariátrica, as restritivas, as mistas e as disabsortivas. “Existem procedimentos que trazem maior prejuízo na absorção de nutrientes. Algumas cirurgias apenas diminuem o tamanho do estômago, enquanto outras diminuem a área de absorção do intestino delgado, que é onde ocorre a absorção do cálcio e da vitamina D, que atuam, diretamente, na formação óssea”, explica a clínica médica Melissa Premaor.

Para ela, o tempo de imobilização pós-cirurgia deve ser o menor possível. E o paciente deve ser orientado a realizar exercícios com carga, como caminhada, assim que puder. “Manter uma rotina de exercícios é essencial. A dieta também deve ser balanceada, e cálcio e vitamina D, repostos de forma apropriada, com acompanhamento médico permanente. Se o paciente apresentar osteoporose, a doença não deve ser negligenciada, mas, sim, tratada”, afirma Melissa Premaor.

Congresso de osteoporose

Para discutir os mais variados temas que envolvem o metabolismo ósseo, incluindo o impacto causado pela obesidade e procedimentos bariátricos, a ABRASSO realizará, de 19 a 22 de outubro, o 10º BRADOO (Congresso Brasileiro de Densitometria, Osteoporose e Osteometabolismo). O evento acontecerá no Windsor Oceânico Hotel, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ). Participarão médicos especialistas do Brasil e do exterior, que divulgarão trabalhos científicos e discutirão novas diretrizes sobre as doenças ósseas.

“Prevenção e tratamento da doença osteometabólica após cirurgia bariátrica” e “Magreza e obesidade – qual é mais tóxica” serão duas das aulas ministradas no segundo dia de congresso. Os temas serão apresentados por endocrinologistas, ortopedistas, reumatologistas, ginecologistas, geriatras, fisiatras, nutricionistas, fisioterapeutas, educadores físicos e profissionais de áreas que “conversam”, direta ou indiretamente, com o metabolismo ósseo. Confira todos os tópicos em www.bradoo.com.br.

“Por conta da pandemia, decidimos adiar o congresso e fazê-lo no segundo semestre de 2022. A data coincidirá com o Dia Mundial de Prevenção e Combate a Osteoporose, celebrado em 20 de outubro. O BRADOO reúne sempre os maiores especialistas em saúde óssea do Brasil e do mundo”, conclui o endocrinologista e presidente do congresso, João Lindolfo Borges



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